De onde veio o barulho do estouro da manada

Eu tinha que preparar uma apresentação em sala sobre a ética do respeito ao ser humano dentro da engenharia genética e do projeto genoma humano. esse assunto sempre estava comigo desde quando lia avidamente quadrinhos de ficção cientifica e filmes sobre o mesmo tema na pré-adolecencia. As pessoas da época falavam que Aldus Huxley era doido pois um feto jamais poderia ser gerado fora do câmera ovariana até vir ao meu conhecimento que uma equipe de japoneses na decada de 80 ficaram admirados com as descrições do autor em 1931 e o produto do seu experimento com um cabrito. Entre lembranças ficcionais e mitos dessa vez era pra falar para outros sem sair do contexto, ser rápido e direto. bem, comecei pelo projeto genoma humano e vi que estava muito pequeno e sem conteúdo convincente: " o projeto genoma humano tem como inicio dissecar o DNA humano para buscar soluções que a milhares de anos vem incomodando o ser humano: temos o direito de optar em viver sem o males que afingiram nossos antepassados, as doenças hereditárias e blá, blá, blá ... e assim dando o prosseguimento ao próximo assunto que é sobre fecundação que será falada por minha colega...”

-OH...

Todos deveriam ficar encantados... mas não foi assim, se não fosse meu “branco total” no exato instante. Numa fração de segundos veio toda a avalanche de informações que antecederam a pesquisa do Projeto Genoma Humano e era desleal ignorar para os demais minhas observações sobre a jornada comprimida de informações processadas. Falar do assunto e ocultar a primeiras pesquisas sobre hereditariedade iniciado por Mendel em 1866, o primeiro documento sobre bioética em 1900 na Alemanha e suas irresponsáveis experimentações com crianças 30 anos depois e o holocausto na Segunda Grande Guerra, a criação da Declaração Universal dos Direitos Humanos em 1948 e a Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969 (Pacto de San José da Costa Rica), a violação da Declaração em nome da ciência apresentado em casos que os tais chocaram a opinião pública americana no Relatorio Belmont em 1978, a criação do termo “bioética” pelo Professor Van Rensselaer Potter em 1970, a descoberta da estrutura do DNA em 1953 e suas conseqüências na área da biologia nuclear, a Conferência do Monte Asilomar, nos EUA, em 1975 sobre o DNA recombinante que viria a ser os famosos transgênicos e suas habilidades de manipulação genetica para ter um vegetral com potencial anti-pragas alavancando os recordes das balanças comerciais e suprindo uma “possível escassez de alimentos” global no futuro, a dissecação de vários DNAs de bactérias, insetos, vegetais, pequenos roedores, gatos, cães, macacos e o do próprio ser humano no PROJETO GENOMA HUMANO em 1990 e suas conseqüências posteriores como terapia genética e pesquisas sobre celula troco embrionaria anos depois. O surgimento do primeiro animal clonado: a ovelha Dolly. O ponto de vista de Albert Einstein sobre a necessidade da biodiversidade para o equilíbrio da vida social no planeta terra. Como poder resumir todo esse contexto e questionar onde estará o principio do respeito à vida humana, o principio da beneficência, o respeito à individualidade e sociabilidade dentro de uma sociedade que fica admirada com o outdoor novo em cada esquina, comprando frutas com tamanhos nunca antes vistos e se extasiando com a escolha do que já fora pré-determinado em um laboratório?

Com tanto corre-corre, pega-pega do dia-a-dia propagando uma ausência de tempo infinita do momento faz com que as coisas fiquem com o aspecto de “ta tudo tao diferente, antes não era assim...”, mas isso é onde chegamos ao ponto de vista viciado. As coisas sempre tiveram um principio, um meio e uma continuidade. Porque hoje não tem? Se os valores éticos da vida fora ultrapassado pelos valores complexos das novas condições acomodadas de “pegue na prateleira sua opção pronta e pratica” para fazer sua vida mais simples e feliz, Albert Einstein disse uma vez “A felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles”. Estamos viciados em soluções.

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